Há 10 anos o mineiro Jean Charles era morto pela polícia de Londres

Foto: Juliana Farias

Dona Maria Otoni, mãe de Jean Charles de Menezes. Foto por Juliana Farias (Julho/2011)

No dia 22 de julho de 2005, o motoboy Alex Pereira estava em uma escola de inglês em Londres quando a professora ligou a televisão e o noticiário dizia: “Homem-bomba é morto na estação de Stockwell”.

Ele e a família só foram avisados quase 30 horas depois que tratava-se do primo, o mineiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, morto pela polícia com 7 tiros na cabeça e 1 no ombro. Ninguém foi responsabilizado pelo crime. Ele e os familiares foram levados para um hotel em Kingston, onde os telefones foram desligados e eles ficaram sob vigilância.

Em 2011 eu desembarcava em Gonzaga, interior de Minas, para contar a história dos primos para o livro London Calling – Histórias de Brasileiros em Londres, publicado no ano seguinte.

Cheguei na cidade e a placa dizia: “Aqui, priorizamos a vida. Terra de Jean Charles, vítima do terrorismo em Londres”. Acima, na foto de Juliana Farias, a mãe de Jean, dona Maria.

Bazar de roupas em Pinheiros tem presença de baixista do Crashdiet

Sentadas da direita para esquerda Valentina Piras, Suzana Ginez, em pé da direita para esquerda Christel Mentges, Peter London e Patrícia De Carli

Sentadas da direita para esquerda Valentina Piras, Suzana Ginez, em pé da direita para esquerda Christel Mentges, Peter London e Patrícia De Carli / Foto: Juliana Farias

Um grupo de amigas está deixando o Brasil para morar entre França, Suécia e Canadá e por conta disso está realizando um bazar em Pinheiros com suas roupas estilo alternativo/rock. Além disso, há a presença ilustre de Peter London, baixista da banda sueca de hard rock Crashdiet que é namorado de uma das garotas. Aproveita e vai lá trocar uma ideia sobre glam rock com o cara ;)

Serviço atualizado:

Próximo final de semana (30/05 e 31/05), das 14h às 21h,  na rua Amalia de Noronha, 380, Pinheiros (próximo ao metrô Sumaré). Tel: 3060-8440. Maioria dos itens, como blusas, vestidos, calçados e acessórios, esta na faixa de 10 a 50 reais.

Chamo-me Carolina, farei 20 anos e seu livro mudou a minha vida

London Calling - histórias de brasileiros em Londres

London Calling – histórias de brasileiros em Londres

Recebi o e-mail abaixo em fevereiro de 2014 referente a experiência de uma leitora com o meu livro sobre brasileiros em Londres, mas só agora resolvi compartilhá-lo. O e-mail me veio à tona com a ativação deste blog (estava oculto desde o final de março), pois demonstra como o nosso trabalho, de escritor de jornalista, pode interferir tão intensamente na vida de alguém. É a prova mais especial de que alcancei o objetivo da publicação.

Me chamo Carolina (troquei o nome para evitar qualquer identificação a ela), farei 20 anos em março e seu livro acaba de mudar a minha vida. Ainda não terminei de lê-lo, têm dois dias que comecei e estou devorando-o.

Faço letras numa Universidade Federal do Rio de Janeiro e só agora consegui enxergar o quanto minha vida estava caminhando para o abismo. Sentia um profundo vazio, uma tristeza profunda. Minha vida não tinha sentido algum.
 
Tive uma infância difícil, vários problemas com meu pai. Nunca superei. Há alguns meses, fui vítima de estupro; o que só agravou ainda mais meu estado emocional.
 
Resolvi sair do Brasil, vou fazer mais dois semestres na faculdade e ano que vem, vou para a Inglaterra. Obrigada, Adriana. Obrigada mesmo. Obrigada pelo impulso, pelo auxílio e pela injeção de coragem.
 
Obrigada por ter escrito o livro. Agradeça à Sandra e aos gêmeos, e ao Rômulo (que é até onde li até agora) por mim também (esses são alguns dos personagens reais do livro). E sinta-se ternamente abraçada.
 
Espero que leia esse e-mail e que saiba que você, com suas experiências, mudou a vida de alguém. Gratidão eterna

Respondi ao e-mail da Carolina, mas nunca obtive retorno.

‘Você não tem o estilo de quem lê’, diz policial a jornalista negro

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

No vai e vem da agitada rua da Consolação, no centro de São Paulo, o jornalista Frederico, de 28 anos, foi parado por uma dupla de policiais militares na sexta-feira (23) por volta das 10h30. Acostumado com as revistas que sofre diariamente por ser negro, diz ele à autora deste blog, a abordagem daquele dia foi diferente.

Frederico carregava nos braços o livro “Dexter – A Mão Esquerda de Deus”, sobre um assassino em série, que havia ganhado como presente de uma brincadeira de amigo secreto. A capa traz a imagem de uma mão usando luva cirúrgica segurando um bisturi escorrendo sangue.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

“Num tom de ironia os policiais queriam saber por que eu estava com aquele tipo de livro, se por acaso eu já tinha feito algo de errado”, afirma. “Eu não tenho passagem pela polícia, apresentei todos os meus documentos, respondi a uma série de perguntas sobre, por exemplo, de onde eu estava saindo e para onde eu ia, qual era meu trabalho, onde morava, mas eles insistiam na questão do livro para justificar uma abordagem que durou mais de 15 minutos”.

Os livros do autor Jeff Lindsay, pseudônimo do dramaturgo norte-americano Jeffry P. Freundlich, inspiraram a aclamada série televisiva Dexter, sobre um homem que trabalha para a Divisão de Homicídios do Departamento de Polícia de Miami como analista forense de manchas de sangue. Nos períodos de folga, Dexter é um serial killer que mata assassinos, estupradores e outros que ficaram impunes.

“O policial ainda debochou de mim dizendo que eu não tinha ‘estilo’ de quem lê livros. Quer dizer que se eu sou negro e ando como qualquer outra pessoa de camisa, bermuda e tênis, não posso ter o hábito de ler?”, diz. “Não sofri nenhuma violência física, mas me chateou demais o tom de voz, o deboche, aquele preconceito nas palavras”.

Questionado sobre quantas vezes já foi revistado pela polícia, o jovem diz que “é mais fácil responder quantas vezes não foi parado”. “Moro na Vila Madalena e lá a noite eu sou abordado direto, mas nunca sofri agressão”, afirma. “Eu me sinto um alvo, se eu vejo uma viatura da polícia eu já sei que eu vou ser parado e passar novamente por todo um constrangimento, uma humilhação. Em cartazes, propagandas, o estado fala para se confiar na polícia, mas você se sente como vítima”. O jovem afirma que não deu queixa sobre o caso pelo fato de não ter havido violência física e por temer represálias de PMs, por isso o sobrenome do jornalista não foi divulgado.

A Secretaria de Segurança Pública diz que sem o registro da ocorrência, que poderia ter sido registrada como injúria, não tem como apurar o caso.

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog. Foram poucas postagens, mas um ano vibrante! O post “Cinderela às avessas: Loemy e a Cracolândia” chegou a mais de 1.000 visualizações. Que em 2015 eu possa movimentar ainda mais o meonthestreet. Feliz Ano Novo!

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 6.200 vezes em 2014. Se fosse um comboio, eram precisas 5 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

Cinderela às avessas: a ex-modelo Loemy e a Cracolândia

Capa1-adriana-farias-jornalista-vejaDurante semanas batalhei por uma história que parecia impossível de ser contada e ainda rodeada de perigos.

Loemy veio do interior do Mato Grosso tentar a vida de modelo em SP, mas as frustrações e dificuldades da cidade grande se aliaram a um profundo trauma que sofreu na infância.

A história acabou na Cracolândia, mas esse não é o fim. É o início de uma luta para largar as drogas e retomar a vida. Leiam na edição desta semana a minha reportagem de sete páginas em Veja São Paulo.

http://vejasp.abril.com.br/materia/loemy-modelo-cracolandia

Face-Adriana-Farias-jornalista-veja

Estrangeiros condenados e a vida clandestina

Já experimentou viver sem documentação no exterior? Em um país que você não domina o idioma e nem a cultura, mas que é obrigado a ficar por lei?

É assim que vivem os estrangeiros condenados no país que cumprem suas penas em liberdade ou terminaram de cumprir toda a sentença e aguardam, fora da prisão, para serem expulsos pelo governo brasileiro.

Trata-se, em grande parte, de “mulas do tráfico”. Pessoas pobres recrutadas por quadrilhas para transportar drogas de um país a outro com a ilusão de ganhar muito dinheiro.

A situação da falta de documentação é dramática, pois eles ficam sem acesso ao trabalho formal, saúde e educação. Vivem como clandestinos, numa situação vulnerável que pode colocá-los na mira das organizações criminosas do trabalho escravo ou de volta ao tráfico de drogas.

Isso é causado por uma legislação (Estatuto do Estrangeiro) criada na época da ditadura militar que será revisada pelo governo federal. Foi chamada de “arcaica” e “defasada” pelo ministro da Justiça.

 

Foto: Raquel Cunha/Folhapress

Foto: Raquel Cunha/Folhapress


Após muitas semanas de trabalho, tudo isso está na reportagem de capa e nas páginas seguintes do caderno “Cotidiano 2” deste sábado (30), da Folha de S.Paulo.

Foram coletadas mais de 10 horas de entrevistas, confrontados dezenas de documentos e dados do governo municipal, estadual e federal, trocados mais de 60 e-mails, buscado material de apoio em órgãos internacionais e instituições nacionais, apurado a legislação de drogas em outros seis países e, o mais importante, acompanhando de perto os casos retratados.

Confira a reportagem em sua versão on-line:

– Estrangeiros que cumprem pena em liberdade vivem clandestinos no país
http://folha.com/no1508356

– Presos por tráfico de drogas no aeroporto de Cumbica sobem 145%
http://folha.com/no1508413

– Revisão da lei do estrangeiro será baseada nos direitos humanos
http://folha.com/no1508397

– Brasileiros presos por tráfico de drogas no exterior cumprem penas variadas
http://folha.com/no1508427