Na caça do super personagem; sair do básico pode render uma boa reportagem

Editoria: Ilustrada; pauta: concursos literários; prazo: três dias (tempo razoável); texto: curto; personagens: até dois. Essas foram as orientações preliminares passadas pela chefia do caderno. Nada impossível de fazer, mas para quem queria sair do básico e conseguir uma super história o tempo era uma grande preocupação.

Diversas fontes consultadas me levaram ao publicitário e escritor Rodrigo Domit, 28, criador do blog concursos-literarios.blogspot.com e um dos entrevistados para a reportagem. Passei uma manhã inteira tentando o celular do moçoilo e encontrei o paranaense no Rio de Janeiro.

Aí foi a caça de um personagem com uma boa história envolvendo a temática da pauta e o primeiro entrevistado super me ajudou, assim como o Facebook, claro, foi meu ponto de partida.

Horas de pesquisa, telefonemas para Minas Gerais, Brasília, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul… e onde eu encontro a melhor história? No município de Alumínio, a 79 km de São Paulo, bem debaixo do meu nariz! Nunca tinha nem ouvido falar sobre o lugar, mas era lá que estava a história.

Chefia da Ilustrada achou o personagem “sensacional” e para lá que eu fui com o super fotógrafo Alessandro Shinoda. A viagem rendeu boas conversas sobre o papel da fotografia no jornalismo (pauta para um post futuro).

O escritor João Paulo Hergesel, 20, recebeu a equipe com um sorriso de orelha a orelha. Não é para menos também, o cara já participou de mais de 200 concursos literários e ganhou 60 deles, como prêmio teve poesias e crônicas publicadas em 25 antologias! Não poderia ter achado personagem melhor.

Fotografia: Alessandro Shinoda/Folhapress

Fotografia: Alessandro Shinoda/Folhapress

Um detalhe na casa dele me chamou atenção: os porta-retratos e porcelanas que geralmente decoram as estantes de uma sala foram substituídos pelos troféus, certificados e menções honrosas dos concursos vencidos por ele. É claro que esse detalhe entrou no meu texto.

É importante quando o jornalista está no local dos acontecimentos porque a entrevista fica mais rica, dá para extrair mais coisas quando se está ao vivo com o personagem e o repórter consegue vivenciar detalhes que dão um brilho para o texto. O leitor percebe isso.

Vale, sobretudo, para quem cobre cidades, como no meu caso na editoria Cotidiano. Para quem quer ser repórter é importante aproveitar todas as oportunidades para ir para a rua até nas pautas mais simples. Vai que você esbarra com uma pauta boa?

Ao fim da caça ao personagem ideal… a matéria ganhou destaque e o texto, aquele que deveria ser curtinho com até dois personagens, ganhou uma terceira entrevista (da Luisa Geisler, 21) e umas boas linhas a mais! Leia na edição de hoje da Folha de S.Paulo ou clicando aqui.

Concursos literários - Ilustrada - Folha de S.Paulo

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Uma resposta em “Na caça do super personagem; sair do básico pode render uma boa reportagem

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