Estrangeiros condenados e a vida clandestina

Já experimentou viver sem documentação no exterior? Em um país que você não domina o idioma e nem a cultura, mas que é obrigado a ficar por lei?

É assim que vivem os estrangeiros condenados no país que cumprem suas penas em liberdade ou terminaram de cumprir toda a sentença e aguardam, fora da prisão, para serem expulsos pelo governo brasileiro.

Trata-se, em grande parte, de “mulas do tráfico”. Pessoas pobres recrutadas por quadrilhas para transportar drogas de um país a outro com a ilusão de ganhar muito dinheiro.

A situação da falta de documentação é dramática, pois eles ficam sem acesso ao trabalho formal, saúde e educação. Vivem como clandestinos, numa situação vulnerável que pode colocá-los na mira das organizações criminosas do trabalho escravo ou de volta ao tráfico de drogas.

Isso é causado por uma legislação (Estatuto do Estrangeiro) criada na época da ditadura militar que será revisada pelo governo federal. Foi chamada de “arcaica” e “defasada” pelo ministro da Justiça.

 

Foto: Raquel Cunha/Folhapress

Foto: Raquel Cunha/Folhapress


Após muitas semanas de trabalho, tudo isso está na reportagem de capa e nas páginas seguintes do caderno “Cotidiano 2” deste sábado (30), da Folha de S.Paulo.

Foram coletadas mais de 10 horas de entrevistas, confrontados dezenas de documentos e dados do governo municipal, estadual e federal, trocados mais de 60 e-mails, buscado material de apoio em órgãos internacionais e instituições nacionais, apurado a legislação de drogas em outros seis países e, o mais importante, acompanhando de perto os casos retratados.

Confira a reportagem em sua versão on-line:

– Estrangeiros que cumprem pena em liberdade vivem clandestinos no país
http://folha.com/no1508356

– Presos por tráfico de drogas no aeroporto de Cumbica sobem 145%
http://folha.com/no1508413

– Revisão da lei do estrangeiro será baseada nos direitos humanos
http://folha.com/no1508397

– Brasileiros presos por tráfico de drogas no exterior cumprem penas variadas
http://folha.com/no1508427

Sonho sem fim

“(…) vi um menino de seis anos com a irmã na porta de um CEU na zona sul de São Paulo. Ele temia em entrar na exposição [que fiz sobre Ayrton Senna] . ‘Ah, tio, ele tem medo da polícia’, disseram os amigos. Havia uma base policial no local. Aí eu fui lá buscá-lo e disse para não ter medo. Peguei o menino no colo, quando passei ao lado da polícia, ele urinou.

O que esse menino já viu dentro da comunidade dele? Foi algo que o marcou profundamente e para recuperar uma criança assim é um trabalho de anos. Isso para mim tem um valor absurdo de começar a entender onde é que eu tinha que ir com o trabalho da ONG”.

Trecho do “Minha História” publicado no dia 15 de maio no caderno “Cotidiano”, da Folha, sobre Alex Cardoso de Melo, 43, um homem que mudou de vida para disseminar os ideais de 24 grandes sonhadores, como de Ayrton Senna e de Martin Luther King. Uma boa história que tive o privilégio de contar.

Minha História - Alex Cardoso de Melo

O jornalismo e a arte de modelar

Reparem na arte abaixo que foi feita para o caderno especial “Escolha a Escola”, publicado pela Folha no dia 22 de setembro. Como vocês acham que ela foi feita?

Photoshop? Corel Draw? Ilustrator? Ou algum outro programa mirabolante dos artistas gráficos?

ARTE- CAROLINA DAFFARA

(Clique aqui e veja a versão on-line e animada desta arte)

Nada disso! A arte foi feita com massinha. Aquela mesma que a gente usava na escola para modelar a tal da cobrinha desengonçada -com um olho maior que o outro, mas que toda as professoras e os pais achavam uma obra escultural, a mais linda do mundo.

Pois bem, a Carolina Daffara, 28, da equipe de arte da Folha, soube como agregar esse tipo de arte ao jornalismo. A ideia surgiu após se debruçar sobre as pautas que abordavam a educação infantil.

“Como é um caderno especial, tivemos mais tempo para criação do que teríamos para uma pauta do dia e foi isso que possibilitou investir num material como a massa de modelar, que precisa de mais tempo para ser trabalhado do que uma ilustração feita no computador, por exemplo”, conta ela que é formada em artes visuais pela Unesp.

Carolina Daffara

Na entrevista abaixo, Carolina me conta como foi o processo de criação dessa arte, que teve uma ajudinha da equipe da Fotografia da Folha e do Agora, e como isso agregou ao trabalho jornalístico, ajudando também o leitor com mais uma fonte de informação.

– Como se deu a criação dessa arte?

Tive algumas ideias, todas usando materiais relativos a educação infantil que resultaram nas massinhas. A partir desta escolha, tive um tempo de adaptação ao material, de testes, de errar um pouco no processo pra chegar na produção final. Fiz os bonequinhos sozinha, mas tive ajuda da equipe de fotografia da Folha e do Agora para passá-los pro papel e dos amigos e colegas de trabalho dando ideias.

– Como foi passar para o papel? Você usou algum software?

Como é uma massinha quase bidimensional, eu scaneei. Depois, fotografei em casa. Mas ficou uma droga, rs. Daí pedi ajuda pro pessoal da foto aqui na redação. Eles fotografaram com fundo branco, me mandaram as imagens e eu dei uma tratada no photoshop, mexi mais no contraste, porque pra ser impresso o fundo tem que estar branco mesmo, chapado. Se tiver com o fundo meio acinzentado isso sai na impressão.

– Como a arte pode enriquecer a reportagem?

Acredito que agrega em diversas esferas do nosso trabalho, pois cria-se mais uma camada de informação. As ilustrações em geral são utilizadas para ambientar o caderno, acrescentar outros dados que não estão no texto, representar as ideias contidas. Se tivesse escolhido outro jeito de ilustrar, isso tudo já seria transmitido, mas, nesse caso, o próprio material usado conversa com a pauta. É uma maneira de enriquecer a informação que está sendo transmitida.

Veja outras artes em massinha da Carolina, como uma calculadora interativa para os pais estimarem os gastos com a educação dos filhos e a estrutura de uma escola.

O caderno “Escolha a Escola” foi coordenado e editado pela jornalista Daniela Mercier, com reportagens de Rayanne Azevedo, Úrsula Passos, Sabine Righetti e minhas. A identidade visual é de Clayton Bueno. Veja aqui a página on-line e aqui a versão impressa. 

O especial traz uma perspectiva sobre os dilemas e desafios da educação básica (do infantil ao ensino médio). Foram visitadas diversas escolas, ouvidos dezenas de pedagogos e psicólogos, consultadas as mais importantes faculdades de educação do país, como da USP, PUC-SP, Unicamp, Unesp, Unifesp e UFMG. Mães, pais, crianças e adolescentes, claro, também ganharam voz. É um trabalho para ajudar a repensar a educação dentro da complexa relação família-escola-aluno.

Jornalista de economia por um mês e 30 furos

“Os jornalistas precisam ser flexíveis”, disse Pete Clifton, diretor de jornalismo multimídia da emissora BBC em Londres, quando esteve no Brasil em 2008.

Na época, em entrevista ao Portal Imprensa ele afirmou: “Os jovens jornalistas precisam possuir diferentes habilidades e frequentar todos os lugares que puder, aprender todas as coisas que conseguir e estudar o quanto for possível”.

Recentemente pude sentir na prática os apontamentos de Clifton.

Fui escalada para trabalhar uma temporada na cobertura de economia (macroeconomia, negócios e vida empresarial) na coluna “Mercado Aberto”, da Folha. É a tradicional página 2 do caderno “Mercado”.

Acostumada com cobertura de cidades e cultura, fui pega de surpresa. Veio o nervosismo pelo desconhecido, e a excitação pelo desafio. Um editor me aconselhou: “Entre de cabeça (…) Você é nova, ainda tem muitas coisas para provar, aprender. Se dê essa chance”.

Mercado Aberto - JPG

EXPERIÊNCIA

A coluna, que só não é publicada de sábado, traz informações sobre grandes investimentos, dados da iniciativa privada (empresas particulares), pautas do setor público (governos, empresas estatais, órgãos públicos), além de pesquisas das associações e setores que movimentam a economia.

Também são importantes os assuntos ligados à vida do consumidor, como aqueles que influenciam diretamente os hábitos de compra e venda.

São muitas possibilidades de pauta para os três repórteres que fecham a coluna, ao lado da colunista, se não fosse um detalhe complicador: todas as informações tem que ser exclusivas (furos, como dizemos no jornalismo). Esse é o grande trunfo da coluna e que a torna tão poderosa no jornalismo econômico.

Durante um mês consegui ao menos 30 furos! Praticamente um furo por dia.

O fato da coluna ter grande repercussão ajuda, mas o repórter tem que saber ir além do release. É aí que os furos aparecem. Apurar, esmiuçar, questionar e cobrar números que nunca foram divulgados pelos setores podem resultar em pautas inéditas.

De um porto pesqueiro parado há três anos em Rondônia –e que foi repassado ao governo do Estado pela União– ao número de fraudes contra os consumidores chegando a marca de 1 milhão.

Do Brasil se tornando o 6º maior mercado do mundo em número de assinantes de TV paga, ao aumento em 10% do deficit da balança comercial dos produtos do setor eletroeletrônico.

Dos hotéis brasileiros registrando queda de ocupação por conta do fraco desempenho econômico, a um abre (notícia mais importante da página) repercutindo o PAC das cidades históricas, programa do governo federal que investirá R$ 1,6 bilhão na restauração de prédios e monumentos do país até 2015. Da entrevista de um secretário de Estado, a de CEO’s de grandes companhias.

As dificuldades com o economês –“private equity” é uma que nunca mais esquecerei– e com temas complexos de determinados setores às vezes me deixavam em pânico. Isso era potencializado pela pressão, com o fato de que precisava apurar e fechar os textos e dados de artes com agilidade e rapidez. O horário do fechamento tornava-se um inimigo.

A experiência foi uma verdadeira montanha-russa, com altos e baixos, que me transformou em uma repórter muito mais segura, versátil e mais uma vez menos temerosa diante dos desafios. E que venham os próximos! 😀

Ahhhh, economia não é um bicho de sete cabeças. Não dominar um assunto pode tornar o jornalista ainda mais cuidadoso em sua apuração.

Jornalismo e as redes sociais

Manifestante ergue flores na av. Paulista, centro, durante protesto no dia 17 de junho contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo (Foto: Flavio Sganzerla)

As redes sociais nos ajudaram a entender o que se passava pelas ruas nos grandes protestos que tomaram o país com um olhar único dos manifestantes, das pessoas anônimas, comuns. Uma percepção que ia além do que a mídia tradicional vinha mostrando.

Mas a grande discussão que nós obrigatoriamente levantamos, enquanto jornalistas, era a disseminação de mentiras, falsidades, boatos por usuários e por grupos que estavam promovendo o terrorismo na população.

Cheguei a entrevistar um manifestante que se dizia agredido nas redes sociais, o compartilhamento da postagem dele chegou a 8 mil. Descobrimos que era mentira. Nem boletim de ocorrência que ele disse que ia fazer ele fez quando descobrimos a falsidade.

Em outra ocasião, na época da venda dos ingressos do Rock in Rio, estava apurando uma pauta sobre superfaturamento de ingressos nas redes sociais após um post que chegou a 20 mil compartilhamentos de uma pessoa denunciando um usuário pelo crime de cambismo on-line. Ao fim da apuração descobri que o perfil era fake e que o tal usuário, na verdade, estava querendo chamar a atenção e ganhar notoriedade nas redes sociais. Ele queria que a imprensa legitimasse seu perfil, sendo que tudo não passou de uma “brincadeira”.

Segundo reportagem divulgada na Folha nesta quinta-feira (4), com o título “Jornalismo domina rede social durante protestos pelo país“, entre os papeis da imprensa durante o protesto foi o de validar ou desmentir informações desencontradas disseminadas por usuários das redes.

Outra informação que eu e outra colega jornalista apuramos durante os protestos e que foi compartilhada desenfreadamente pelas redes sociais foi sobre a desocupação do Theatro Municipal no protesto do dia 13 para a suposta “infiltração de policiais militares” que iriam “pegar os manifestantes desprevenidos”. Apuramos in loco que, na verdade, apenas estudantes de um curso de dança haviam sido liberados e que o Theatro funcionava normalmente, sem nenhum “militar infiltrado”.

E mais, segundo reportagem da Folha:

De um falso Jô Soares anunciando duas mortes em uma manifestação, no Facebook, ao alerta geral sobre um golpe militar, no Twitter, os boatos se espalharam sem controle naquele período.

Outro boato dizia que a presidente Dilma Rousseff havia declarado que desligaria a internet se as manifestações prosseguissem. A origem deste último foi identificada em sites de humor.

Mas os demais se perdem no emaranhado de versões que acabaram recebendo guarida em perfis do Facebook e contas do Twitter.

Um deles dizia que um dos depredadores da sede da Prefeitura de São Paulo seria a mesma pessoa que rasgou as cédulas de jurados na apuração do Carnaval de 2012, Tiago Ciro Tadeu Faria.

Na realidade o agressor era o estudante de arquitetura Pierre Ramon Alves de Oliveira, como revelou a imprensa.

“Você vai descascando, descascando, e é como telefone sem fio: lá atrás era outra coisa”, afirma Leonardo Sakamoto, professor de jornalismo da PUC-SP. Ele chegou a postar em seu blog no UOL, empresa do Grupo Folha, que edita a Folha, “os dez mandamentos para jornalista de Facebook e Twitter”. O primeiro é “não divulgarás notícia sem antes checar a fonte de informação”.

Se o tal “jornalista das redes sociais” pública uma informação correta ele é louvado e o jornalismo participativo surge como uma boa sacada para a iniciativa empresarial. Se ele distorce a informação, as grandes corporações afirmam que ele não deve agir como jornalista e, portanto, é um indivíduo despreparado. É um papel ambivalente de aceitar ou não sua importância.

Além do mais, esse tipo de jornalismo traz fascínio ao imaginário do cidadão comum e surge uma proliferação de “cidadãos-paparazzi” querendo publicar tudo o que vêem pela frente.

O jornalismo tradicional não deve se dissociar das redes sociais, mas usá-las criteriosamente para entender os anseios da população.

Que as prioridades deste mundo se voltem para o ser humano

No início o objetivo era impedir a derrubada de bosques e florestas para a construção de mais rodovias, para dar mais espaço aos carros e transporte privado. A seguir foi a defesa de rios e lagos, depois o esforço de chamar a atenção para a degradação das cidades, dos bairros populares, para as comunidades desassistidas, para as populações de rua, para as massas de desempregados.

O passo seguinte foi a denúncia da exploração das populações nos países subdesenvolvidos, das “dívidas externas”, a estrangulação das políticas “desenvolvimentistas” do FMI, do BM e da OMC, a pauperização e depredação do meio ambiente em escala mundial promovida pela globalização.

Por meio das conexões pela internet  a conspiração adquiriu amplitude e alcançou enorme impacto nos confrontos de Seatle, Washington, Toronto e Praga, em que se tornaram marcos históricos e, agora, mais uma vez, o Brasil.

Quem diria que no novo século o front político retornaria para as ruas, tal como nas pólis da Grécia antiga? Quem diria que alguém fosse aprontar uma festa tão grande que fizesse a retomada e requalificação dos valores, da democracia, do espaço público, para que as pessoas, gente simples, anônima, pudessem participar?

É Sevcenko… se esse é o front o slogan que deve orientar nosso futuro é esse: “a dignidade das pessoas, dos animais, de toda a natureza, deve uma vez mais retornar para o centro da experiência” (Joseph Beuys). E é com essa reflexão que eu termino mais uma reportagem que me tomou semanas.

O dia em que pautei os principais jornais impressos e televisivos do país

Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la.

Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

É Gabriel Garcia Marquez… a gente que entrou no jornalismo para mudar o mundo e há quem duvide desse poder, eu nunca duvidei pelo menos. Aquela reportagem de poucas linhas pode ter feito a diferença na vida de alguém, que fez uso daquele conteúdo para transformar a vida de mais outras pessoas e assim por diante. Creio nos leitores, telespectadores e ouvintes que veem no bom jornalismo uma forma de emancipação.

Foi assim que aconteceu com a minha primeira reportagem/furo de grande repercussão na Folha. Polícia paulista cria cadastro de pedófilos, o primeiro do Brasil. Fiquei sabendo do tamanho da repercussão por conta de um e-mail do chefe de reportagem de “Cotidiano”. A reportagem pautou os principais jornais impressos e televisivos do país. Rede Globo, Estadão, Record, Band, O Globo… todos foram atrás da pauta. Passei a receber inúmeras mensagens de ativistas dos Direitos Humanos a respeito.

FOLHA DE S.PAULO - PEDOFILIA - ADRIANA FARIAS

Descobri a pauta de xereta que sou. Durante um plantão em “Cotidiano”, falando com pessoas ligadas à Secretaria de Segurança Pública, descobri uma delegada que trabalhava com pedofilia e que interrogava as crianças em uma brinquedoteca –para os pequenos se sentirem mais confortáveis ao denunciar o abuso sexual.

Como temas sociais sempre me sensibilizaram muito fiquei com o nome daquela delegada na cabeça. Mandei um e-mail para mim mesma me lembrando de ligar para ela.

Semanas se passaram e aquele e-mail se perdeu dentre tantos outros. No dia que comecei a trabalhar no TV Folha, até por eu ter um currículo em televisão, me lembrei da tal delegada e da tal brinquedoteca, porque pensei nas imagens que aquele espaço lúdico proporcionaria.

Liguei para a delegada. No final da conversa eis que ela me diz: “pois é a delegacia vai completar dois anos, e ela é tão desconhecida e a gente faz um papel tão importante. Estamos até criando um banco de dados para cadastrar os pedófilos do Estado”. Fiquei extremamente inquieta com aquela informação, fiz algumas pesquisas e vi que realmente eu tinha um furo para “Cotidiano”.

Com outro enfoque a reportagem entrou no programa TV Folha, onde tenho feito trabalhos em produção e reportagem. ‘TV Folha’ traz vítimas de pedofilia; violência contra menores cresce no país.

Entrevistei vítimas de pedofilia. Chorei com uma delas que é mãe. A investigação do caso estava parada na delegacia há um ano. O inquérito policial seguiu para o Fórum dois dias depois que a Folha pediu posicionamento e a reportagem foi veiculada tanto no jornal quanto na TV. Corri para dar a notícia para minha entrevistada. Era Dia das Mães.

Nas semanas seguintes, uma leitora, comovida com a reportagem, entrou em contato com a Folha querendo ajudar a família da vítima.

Transformar o mundo para mim é isso. É de tijolo em tijolo, de reportagem em reportagem. Às vezes falta cimento para dar solidez, o muro parece que vai ruir, você não tem certeza se deveria ter ficado com aquele tipo de tijolo que te dava segurança e que você já experimentou diversas vezes ou parte para um novo, que proporcione muros mais vibrantes, mas também incertos.