E o Brasil mata Lemmy Kilmister, vocalista do Motorhead

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Durante a madrugada a Top Link, por meio do produtor Paulo Baron, divulgou uma nota no Facebook avisando que Lemmy, 67, havia morrido. Claro que a notícia pareceria ser verdadeira já que o músico, por problemas de saúde, teve que cancelar metade do set da banda durante recente apresentação no Wacken Open Air (Alemanha).

Pela Top Link ser uma companhia de credibilidade e fonte de material jornalístico, muitos sites especializados em música replicaram a notícia. O problema é que a “ânsia pelo furo” produziu uma cegueira geral e todo mundo deu barriga (jargão jornalístico para publicação falsa).

Esqueceram de consultar outras fontes, que facilmente desmentiriam o fato. Uma informação de morte é muito grave e a não ser que venha de uma fonte 100% segura (como a produção direta do Motorhead) deve ser checada com outras fontes.

Quem foram mais jornalistas nessa hora? Os leitores que desconfiaram e foram obter informação nos sites estrangeiros.

E aí o que aconteceu? Fomos motivos de chacota nos portais gringos. Uma amiga do guitarrista do Motorhead desmentiu a informação, após ligar para banda. Ainda durante o período que se acreditava na morte de Lemmy, Dave Mustaine, do Megadeth, sem saber da publicação no Brasil, postou em seu twitter que o músico estava em uma rápida recuperação.

E a Top Link levou mais de 10 horas para desmentir a informação, fazendo com que ela se espalhasse desenfreadamente pelas redes sociais.

Como conversas de bar podem virar pauta

Já escrevi aqui, num post de novembro, como as pautas podem surgir de situações que você não espera. Uma conversa num bar pode levar a uma pauta, algo que te deixe inquieto ou indignado pode ser um sinal.

Seguindo para a rodoviária às 9h da noite e você vê uma movimentação estranha no trânsito fique atento, pergunte o que é… pode não ser nada ou pode ser uma pessoa sendo assaltada (exemplo verídico aqui). É a nossa profissão, temos que ser observadores, curiosos e questionadores, se um dia perdermos essas qualidades estará na hora de mudarmos de profissão.

Foi em uma dessas conversas de bar que surgiu a ideia de publicar o artigo 89 FM x KISS FM: na disputa pelo público rock paulista. Eu acompanhei o retorno da rádio rock e a mobilização feita pelos fãs na página do grupo no Facebook. Percebi que eu tinha um tema bacana para debater já que também acompanho há muitos anos a concorrente KISS FM. As duas rádios estão disputando a preferência do público que gosta de rock na capital, mas elas vão ter que se reinventar para não perder audiência. Ninguém tinha escrito sobre isso e estava na boca do público… lá fui eu.

O artigo foi publicado neste blog e no Whiplash.Net, portal que escrevo há uns 8 anos. O texto chegou a mais de 1 mil compartilhamentos no Facebook, quase 10 mil visualizações e recebeu centenas de comentários construtivos.

Um editor d’O Estado de S.Paulo gostou e republicou o artigo ontem no blog de música do jornal, o Combate Rock. O texto lá já foi compartilhado mais de 370 vezes.

Isso é para comprovar que quando acreditamos que a pauta é boa a gente tem que ir até o fim, mesmo que digam o contrário, como me disseram em outro lugar que não vale a pena comentar aqui! É coisa de feeling! Rock on!

89 FM x KISS FM: na disputa pelo público rock paulista

Publiquei um artigo no portal Whiplash, onde sou colaboradora há alguns bons anos, sobre a importância da volta da programação rock da rádio 89 FM e atual disputa de público com a concorrente KISS FM.

Achei que o público true do site ia me trucidar, mas os comentários na página estão bem construtivos. Abaixo segue o texto completo publicado no Whiplash, caso você queira vê-lo no site é só clicar aqui.

89 FM x KISS FM: na disputa pelo público rock paulista

89 e Kiss

A volta da 89 FM causou um sentimento nostálgico no público paulista que acompanhou as transmissões da rádio nas décadas de 1980 e 1990. Principal rádio do segmento rock, ela foi uma das grandes emissoras responsáveis por formar a nação roqueira dos anos 2000 até que uma perda de audiência levou a rádio a abandonar o rock e adotar o estilo pop, entre 2006 e 2012.

O retorno da rádio rock veio como um susto. A mobilização nas redes sociais começou a ferver no dia 4 de novembro quando a locutora Luka, que fazia parte do casting da antiga 89 FM, foi chamada para programar um especial rock de seis horas. Isso foi um reflexo do que aconteceu no dia 27 de outubro, quando os donos da rádio interromperam a programação pop normal despencando uma saraivada de hits que fizeram sucesso no auge da rádio rock.

Tudo foi acompanhado com muita mão na massa pelos fãs, que espernearam nas redes sociais pedindo o retorno da rádio. A página da emissora criada no Facebook chegou a 50 mil “likes” em uma semana.

De olho nesse público sedento, os donos da 89 FM não tiveram dúvidas e conseguiram a oficialização da volta no dia 21 de dezembro, com o patrocínio do UOL, empresa de conteúdo e serviços de internet, que renomeou a emissora como “UOL 89 FM A Rádio Rock”.

No período de quase seis anos que a rádio rock ficou fora do ar, a concorrente KISS FM, que estreou na frequência 102,1 MHz em julho de 2001, ganhou força e conseguiu resgatar uma parcela do público órfão da 89 FM. Com a volta da emissora, a concorrente foi posta em xeque. Hoje, a página da 89 FM no Facebook já alcança mais de 205 mil seguidores, contra 153 mil da concorrente.

As duas rádios disputam a unhas e dentes o público rock paulista. A vinheta da KISS enfatiza: “aqui você escuta o verdadeiro rock”; e a da 89, em sua música-tema, repete: “cansados da mesmice a rádio rock voltou (…) para causar e retomar o que é nosso”.

O fato da 89 ser uma rádio mais aberta as novidades bem-vindas do rock como o Muse e o The Black Keys, só citando dois exemplos, ajuda a explicar o sucesso da rádio. Ao contrário da KISS, que adotou o segmento classic rock, mas acabou escravizando-o deixando o público à deriva do que os grandes nomes do rock têm feito nos últimos dez anos para cá.

A postura da KISS remete ao filme “Meia-Noite em Paris”, do Woody Allen. Na trama, o diretor mostra como nos povos de cada período histórico há um desgosto pelo presente que os faz idealizar eras passadas. “As bandas e as músicas atuais são uma porcaria, como eu sinto falta dos anos 80” é por aí a sensação.

A molecada de agora está ouvindo rock como nunca e mostrar sua origem é imprescindível, mas não deixar que os novos e os velhos tirem suas percepções da reinvenção dele é um aprisionamento cultural em pleno século 21.

A 89 FM pode não ser a salvação, mas ainda bem que ela voltou.

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Quando o assunto é rock brasileiro a situação é ainda pior. As duas rádios rock da capital tangenciam o estilo. Enquanto a KISS FM reserva apenas 1h por semana para tocar o segmento, que não foge muito de Raul Seixas, Legião Urbana e Titãs, a 89 FM parece que só tem na programação Charlie Brown Jr., O Rappa e Raimundos, mas ainda é cedo para falar já que a emissora ainda está montando a grade de programas. Mas o que acontece? O rock brasileiro morreu ou não se consegue enxergar que ele existe? (essa é uma pauta para uma próxima discussão).