Há 10 anos o mineiro Jean Charles era morto pela polícia de Londres

Foto: Juliana Farias

Dona Maria Otoni, mãe de Jean Charles de Menezes. Foto por Juliana Farias (Julho/2011)

No dia 22 de julho de 2005, o motoboy Alex Pereira estava em uma escola de inglês em Londres quando a professora ligou a televisão e o noticiário dizia: “Homem-bomba é morto na estação de Stockwell”.

Ele e a família só foram avisados quase 30 horas depois que tratava-se do primo, o mineiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, morto pela polícia com 7 tiros na cabeça e 1 no ombro. Ninguém foi responsabilizado pelo crime. Ele e os familiares foram levados para um hotel em Kingston, onde os telefones foram desligados e eles ficaram sob vigilância.

Em 2011 eu desembarcava em Gonzaga, interior de Minas, para contar a história dos primos para o livro London Calling – Histórias de Brasileiros em Londres, publicado no ano seguinte.

Cheguei na cidade e a placa dizia: “Aqui, priorizamos a vida. Terra de Jean Charles, vítima do terrorismo em Londres”. Acima, na foto de Juliana Farias, a mãe de Jean, dona Maria.

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Vídeo da entrevista exibida na TV Cultura sobre ‘London Calling’

No último sábado (8), o programa 360 da TV Cultura exibiu uma entrevista comigo a respeito do “London Calling – histórias de brasileiros em Londres”, livro que lancei no Teatro Augusta e na 22ª Bienal de São Paulo em agosto deste ano.

ENTREVISTA TV CULTURA 1.3

Dos quase 30 minutos de entrevista, a equipe da TV PUC, que realizou a reportagem, soube condensar bem o tópicos mais importantes. Acho que vale destacar um ponto que é sempre o gancho da conversa de estudantes de Jornalismo que me procuram via e-mail e facebook: o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

Como não deixar ele engavetado depois que você recebe o diploma? O fato é que fazendo um tema verdadeiro e instigante –não apenas para os outros, mas principalmente para você– vai te levar a encontrar meios de tirá-lo do acadêmico e transformá-lo em profissional, mesmo nadando contra a maré.

O vídeo já está disponível no meu youtube channel:

E aí o que acharam?

Entrevista no programa 360 da TV Cultura

Dei uma entrevista bem bacana sobre o meu livro à equipe da TV PUC na 22ª Bienal do Livro de São Paulo, que aconteceu em agosto.

A reportagem mandou a entrevista para o programa Cultura 360, da TV Cultura. O pgm é uma parceria entre a Fundação Padre Anchieta e a Associação Brasileira de Televisão Universitária.

Uma equipe de curadoria faz a escolha dos vídeos que serão exibidos na TV Cultura e… o meu foi escolhido! Eba! A entrevista vai ser exibida amanhã (8), às 7h30!

Fiquei sabendo da notícia e fiquei super feliz. Eles escolheram minha entrevista sem saber que eu sou funcionária da emissora. Achei que se descobrissem poderia inviabilizar a exibição na TV, mas a equipe disse que isso não iria interferir e ficaram felizes de saber que eu fazia parte da equipe do Jornalismo \o/

ENTREVISTA TV CULTURA 2

Espero que consigam me assistir na TV Cultura! 7h30 de um sábado é complicado, mas vale a intenção. Depois me digam o que acharam da entrevista!

2ª parte da entrevista sobre “London Calling” no blog do jornalista do UOL

Na segunda-feira (5), publiquei aqui no meonthestreet a primeira parte da entrevista que dei ao jornalista do UOL Rodrigo Borges Delfim sobre o meu livro, “London Calling – histórias de brasileiros em Londres”, lançado em agosto na 22ª Bienal do Livro.

Abaixo, segue um trecho da segunda parte da entrevista que saiu no blog do jornalista, o MigraMundo. Nessa parte discutimos sobre o capítulo em que trato das histórias de Jean Charles de Menezes, o mineiro morto pela polícia britânica no metrô de Londres em 2005, e de seu primo Alex Pereira:

Como foi para você levantar a história da família do Jean Charles? O que você sentiu, de onde veio a ideia de inclui-la no livro?
Quando você fala da vida de brasileiros em Londres é impossível não lembrar do mineiro que foi morto no metrô de Londres, por isso eu já pensava em incluir essa história assim que tive a ideia do projeto. Fiz uma pesquisa nos principais veículos brasileiros e internacionais que cobriram a história e também li um livro a respeito da vida de Jean Charles. No meio do percurso, explodiu na mídia aquele escândalo de grampos telefônicos do News of The World, tabloide do empresário Rupert Murdoch. Uma das pessoas que haviam sido grampeadas foi justamente o Alex Pereira, primo de Jean Charles. A partir daí passei a focar minha pesquisa nele. O que eu encontrava sobre o Alex na mídia brasileira era um pouco superficial, mas o suficiente para saber que ele tinha muita história para contar e ninguém soube explorar isso. Na época, a mídia estava na loucura para ter o caso do Jean e se esqueceram do Alex, que foi um homem muito importante e peça fundamental nessa história toda. Viajei à cidade de Gonzaga (MG) para contar muito mais do que a história do Jean, mas sim a do próprio Alex, que lutou contra gigantes para provar a inocência do primo.

Após o caso Jean Charles, você acha que algo mudou na Inglaterra depois disso, seja para os ingleses, seja para os imigrantes que lá vivem?
Depois da morte do Jean acredito que nada mudou no Brasil, apenas ganhamos um filme sobre o assunto e muita mídia na época. Já na Inglaterra, apesar de nenhum policial ter sido culpado pelo crime, eles se sentem envergonhados e a comunidade brasileira não deixa esquecer o que aconteceu ao manter o altar para o mineiro em frente a estação de Stockwell, onde ele foi assassinado. O que aconteceu com Jean Charles foi parte do arbítrio policial e repressivo que tomou conta das forças policiais no mundo inteiro após o 11 de Setembro. Além disso, Jean também teve o azar de ser pobre e imigrante, condições que o tornaram especialmente vulnerável na era atual.

(Leia a entrevista completa no blog MigraMundo)

Entrevista sobre “London Calling” no blog do jornalista do UOL

Nesta semana dei uma entrevista super bacana ao jornalista do portal UOL Rodrigo Borges Delfim. A primeira parte do nosso bate-papo foi publicada no novíssimo blog do jornalista, o MigraMundo, que aborda temas ligados a migração, dentro ou fora do Brasil.

Conversamos sobre o meu primeiro livro “London Calling – histórias de brasileiros em Londres” que lancei no mês de agosto deste ano no Teatro Augusta e na 22ª Bienal Internacional do Livro.

Reproduzo aqui um trecho do post do Rodrigo:

De onde veio a ideia de transformar a experiência na Terra da Rainha em TCC e, depois, em livro? O que te inspirou?
A viagem para Londres foi a minha primeira experiência internacional, então fui com dois olhares, o de jornalista e o de criança, puro e sempre de olho em tudo sem deixar escapar nada. Lá, eu passei a conviver com muitos estrangeiros, mas as histórias dos brasileiros que moravam lá me fascinavam e me horrorizavam também. Cheguei no Brasil completamente transformada e inspirada por essa experiência. A princípio, o meu TCC seria em dupla e com outro tema, mas numa certa noite eu comecei a ler o livro “Da Rosa ao Pó”, do jornalista Gustavo Silva, sobre as histórias que ele descobriu do pós-genocídio na Bósnia. E percebi que o que eu vivi em Londres com os brasileiros que eu encontrei poderia virar o meu TCC, em formato de livro. Eram 4h da manhã quando levantei da cama e mandei um e-mail para o meu orientador perguntando se ele concordava com a ideia de mudar de tema aos 45 minutos do segundo tempo. Com a resposta afirmativa dele eu não tive dúvidas, desmanchei a minha dupla e parti para a empreitada. Uma vez escutei de um grande jornalista que a nossa profissão deve exercer a humanidade, ou seja, o repórter deve estar disposto a sair da sua zona de conforto e enfrentar as adversidades, ouvir o outro, o inusitado e o diferente. Juntei isso com a minha admiração pelo New Journalism, que é a junção da narrativa jornalística com a literatura, e entrei no calor psicológico dos meus personagens.

O que mudou no decorrer do TCC e no percurso até a obra chegar às livrarias?
O Ziraldo, pai do menino maluquinho, disse uma vez que você nunca será um grande escritor se não for ambicioso e corajoso. Isso é uma grande verdade. Comecei o meu TCC já com a intenção de que ele poderia virar um livro comerciável. É claro que algumas coisas foram me decepcionando no meio do caminho, como alguns bons personagens que não queriam participar, conciliar o trabalho com a produção do TCC, problemas técnicos com ele, entre outros. Mas eu estava muito confiante e apaixonada pelo tema, que eu havia vivenciado. E por que não lançar um livro de brasileiros em Londres, que é uma cidade tão impregnada no imaginário popular?

Aproveitando uma pergunta que você fez aos entrevistados para o livro: Para você o que Londres é e o que Londres não é?
Para mim Londres é vida! É a possibilidade de você conhecer o mundo todo em apenas um lugar onde a diversidade cultural impera. Poxa, é o país do punk que questionou a pompa da sociedade britânica, quebrou paradigmas e trouxe uma nova forma de encarar a música, como peça chave para entender as angústias do povo. E para mim Londres não é um país onde as coisas caem do céu, onde tudo é maravilhoso e nada dá errado. Aquele famoso ônibus vermelho de dois andares pode estar impregnado de preconceito e xenofobia.

O que você sentiu ao voltar para o Brasil? Houve algum tipo de choque?
Sim! Fiquei menos de um semestre, infelizmente. Quando voltei foi inevitável fazer as comparações sobre a nossa mobilidade urbana e a deles, o hábito dos ingleses de ler no metrô, mas foi muito bom ter voltado e ter aprendido a dar mais valor para a nossa cidade e o que está ao nosso redor. Uma coisa muito legal é que alguns dos personagens do meu livro que voltaram ao Brasil souberam disseminar e contagiar os colegas de trabalho, família e amigos com as experiências que tiveram em Londres. Muitos deles estão hoje ajudando a construir uma cidade melhor a partir do que aprenderam lá fora. Isso teria valido um capítulo extra ao meu livro, mas não deu.

Que tipo de retorno você tem recebido do livro London Calling, seja por parte dos leitores, seja em relação aos personagens?
Muitas pessoas leram o livro em 2 dias! O retorno têm sido muito positivo e, para falar a verdade, emocionante! Quando um leitor me escreve dizendo que o livro o inspirou a ter uma vida mais criativa e engajada eu fico muito contente, porque a intenção era essa mesma. Tirar as pessoas do comodismo e mostrar que existe um mundo lá fora a espera delas e que não é impossível sair do país; ou mesmo sair de São Paulo e ir conhecer a zona leste, ou até ir ver aquele museu que fica do lado da sua casa.

Você saberia traçar um “antes e depois” de si própria, sobre como você era antes da sua experiência em Londres e como voltou da viagem?
A conclusão do livro é exatamente o antes e o depois não só de mim, mas de todos os personagens da obra. Londres me ajudou a enxergar um outro Brasil. A busca de experiências autênticas foi um compromisso que me transformou irreversivelmente e fez surgir uma nova versão de mim mesma. Parei de ler as histórias dos outros e fui trilhar a minha própria.

(Leia a entrevista completa no blog MigraMundo)

A utilidade do Excel em um TCC de jornalismo

Como alguns já sabem, o meu livro oficial “London Calling – histórias de brasileiros em Londres” nasceu do meu trabalho de TCC, que na época dei o nome de “Brasileiros na Terra da Rainha”.

A trajetória desse projeto saiu no blog Novo em Folha, do jornal Folha de S.Paulo, e desde então muitos estudantes de Jornalismo têm entrado em contato comigo justamente por conta deste trecho que escrevi:

“Abri uma planilha no excel e coloquei todas as minhas prioridades: todas as entrevistas que eu precisava fazer, o que faltava coletar, o que faltava pesquisar, organizar viagens, quais eram as tarefas dos dias seguintes, quais livros eu tinha que ler. Sempre quando eu finalizava uma tarefa eu ia no excel, marcava com um traço e dava “ok”, se eu via que tarefas que eu deveria ter cumprido não estavam feitas, sem aquele “ok”, eu entrava em desespero para quitar o quanto antes. Foi assim durante todo o meu projeto”.

A tabela/planilha que eu criei no Excel, com ajuda da minha irmã Juliana, me ajudou a fixar metas e prazos e com isso eu consegui me concentrar mais no TCC e passei a não dispersar tanto como é o caso da maioria das queixas que estou recebendo por e-mail.

Para deixar a questão mais ilustrativa eu recriei uma tabela para o mês de setembro sobre um projeto fictício:

Essa tabela pode se aplicar a qualquer projeto, mas depende muito mais da determinação da pessoa em seguir e agarrar com unhas e dentes o projeto para que ele não seja uma obrigação na grade, mas algo que dê frutos. Isso é possível escolhendo um tema que tenha tudo a ver com você e em um grupo que valha a pena. Se o grupo não for bom, abandone o barco e reme sozinho, sem medo!

Na mídia 4 – Folha de S.Paulo

A Folha de S.Paulo abriu espaço para que eu contasse no blog “Novo em Folha” a trajetória do meu livro, que será lançado neste sábado, dia 04, no Teatro Augusta, em São Paulo (SP).

Copio a íntegra do texto, com a introdução da jornalista Cristina Moreno de Castro. O post original pode ser visualizado clicando aqui.

Esforço contra o TCC “nas coxas” – e a recompensa depois

A leitora Adriana Farias enviou o texto abaixo para os leitores do blog que estão às voltas com o trabalho de conclusão de curso. A experiência dela pode animar quem se vê atolado para conciliar os estudos com o trabalho/estágio e pode ajudar quem tinha tido a ideia de fazer um TCC “nas coxas”, só para pegar o diploma, a mudar de ideia. Vejam aí:

“Eu tenho 23 anos e sou jornalista recém-formada pela PUC-SP. No meu trabalho de conclusão de curso eu abandonei a parceria com uma super amiga minha para tocar o meu TCC sozinha, até porque eu finalmente tinha achado um assunto que tinha tudo a ver comigo. Abracei o tema e decidi que eu não iria fazer um trabalho final apenas para concluir uma exigência no curso. “Se eu vou ter que investir um ano da minha vida em algum projeto, então ele terá que me dar frutos no futuro”, foi o que pensei. Coloquei isso na minha cabeça e não larguei mais. Aí que os problemas começaram a aparecer.

Na época, eu estagiava em uma emissora de televisão que sugava muito de mim, ou seja, eu fazia muito mais do que 6h de trabalho. Isso poderia parecer ruim à primeira vista, mas minha editora-chefe não me via como estagiária, mas sim como produtora dos programas que nós fazíamos juntas. Então, como conciliar o TCC com um trabalho cuja equipe super te valoriza e a sua chefe até te dá o aval para você estruturar um programa sozinha na área da reportagem e da produção? Colegas também me aconselharam a deixar o TCC de lado e fazer algo mais tranquilo só para pegar de uma vez por todas o diploma.

O fato é que lutei durante um ano para não fazer meu TCC “nas coxas” e para não perder meu rendimento na emissora. Eu passei a fazer o meu projeto no fim do expediente e principalmente nos finais de semanaAbri uma planilha no excel e coloquei todas as minhas prioridades: todas as entrevistas que eu precisava fazer, o que faltava coletar, o que faltava pesquisar, organizar viagens, quais eram as tarefas dos dias seguintes, quais livros eu tinha que ler. Sempre quando eu finalizava uma tarefa eu ia no excel, marcava com um traço e dava “ok”, se eu via que tarefas que eu deveria ter cumprido não estavam feitas, sem aquele “ok”, eu entrava em desespero para quitar o quanto antes. Foi assim durante todo o meu projeto.

Meu namoro e minhas relações sociais quase foram para o brejo. Tinha dias que eu queria apenas ficar dormindo o dia inteiro, mas minha irmã ia lá e me dava uma força. Fazia a transcrição de uma entrevista aqui, o meu namorado me ajudava com outra. Até o meu irmão de 17 anos entrou nessa.

Depois da tormenta vem a bonança. O fruto dessa luta acontecerá no dia 04/08, das 16h30 às 20h, no Teatro Augusta, em São Paulo! Lá, eu vou lançar o livro “London Calling – histórias de brasileiros em Londres” que foi, originalmente, o meu TCC pela PUC-SP. O meu esforço foi recompensado com a publicação desse livro por uma editora que acreditou no projeto. Além disso, eu fui contratada naquela emissora de televisão logo depois da minha defesa de banca, que foi avaliada com a nota máxima.

Por experiência própria, eu insisto que os alunos de jornalismo devem acreditar nos seus trabalhos e ir em frente de peito aberto e cabeça erguida. Não engavetem o TCC de vocês, inscrevam em alguma premiação, tentem tirar o melhor dele porque com certeza absoluta vai render bons frutos! Você crescerá tanto profissional quanto pessoalmente.