O jornalismo se curva

O fotojornalista alemão Maxim Sergienko publicou em dezembro esta ambígua foto que mostra a equipe da versão alemã do jornal Financial Times se despedindo de seus leitores, após o anúncio do fim da circulação do diário. Cerca de 256 jornalistas foram dispensados. A foto poderia ter sido tirada aqui no Brasil.

Foto: Maxim Sergienko

Foto: Maxim Sergienko

A foto traz duas interpretações, assim como a tradução de “entschuldigung”: uma despedida humilde a quem o jornalismo de qualidade mais deve respeito: ao cidadão e a democracia; e outra mais macabra a equipe se curva para receber a foice, em alusão a perda do emprego, o decreto do fim do jornalismo.

Adotei a primeira interpretação, mais romântica, pode ser. O jornalismo bom, de qualidade, independente e investigativo serve de parâmetro para analisarmos o quão democrático é um país. A curva da equipe do FT alemão é uma despedida nesse sentido. É você, leitor-cidadão, que sai perdendo.

A profissão está passando por uma travessia turbulenta frente à internet. Folha, Estadão, Valor, Abril, Brasil Econômico, Trip, Record… todos vão fazer ou estão para fazer reestruturações em suas redações, com cortes de vagas e extinção de cadernos. O novo modelo que se impõe é o de redações mais enxutas.

Aqui vai uma discussão que vale a pena ser feita. Está no blog “Casca de Besouro”, de Bruno Torturra. Clique aqui e vamos debater o nosso futuro. O encontro foi transferido para esta quinta-feira (13), no centro de São Paulo. Mais informações diretamente com o organizador ou comigo no Facebook.

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