89 FM x KISS FM: na disputa pelo público rock paulista

Publiquei um artigo no portal Whiplash, onde sou colaboradora há alguns bons anos, sobre a importância da volta da programação rock da rádio 89 FM e atual disputa de público com a concorrente KISS FM.

Achei que o público true do site ia me trucidar, mas os comentários na página estão bem construtivos. Abaixo segue o texto completo publicado no Whiplash, caso você queira vê-lo no site é só clicar aqui.

89 FM x KISS FM: na disputa pelo público rock paulista

89 e Kiss

A volta da 89 FM causou um sentimento nostálgico no público paulista que acompanhou as transmissões da rádio nas décadas de 1980 e 1990. Principal rádio do segmento rock, ela foi uma das grandes emissoras responsáveis por formar a nação roqueira dos anos 2000 até que uma perda de audiência levou a rádio a abandonar o rock e adotar o estilo pop, entre 2006 e 2012.

O retorno da rádio rock veio como um susto. A mobilização nas redes sociais começou a ferver no dia 4 de novembro quando a locutora Luka, que fazia parte do casting da antiga 89 FM, foi chamada para programar um especial rock de seis horas. Isso foi um reflexo do que aconteceu no dia 27 de outubro, quando os donos da rádio interromperam a programação pop normal despencando uma saraivada de hits que fizeram sucesso no auge da rádio rock.

Tudo foi acompanhado com muita mão na massa pelos fãs, que espernearam nas redes sociais pedindo o retorno da rádio. A página da emissora criada no Facebook chegou a 50 mil “likes” em uma semana.

De olho nesse público sedento, os donos da 89 FM não tiveram dúvidas e conseguiram a oficialização da volta no dia 21 de dezembro, com o patrocínio do UOL, empresa de conteúdo e serviços de internet, que renomeou a emissora como “UOL 89 FM A Rádio Rock”.

No período de quase seis anos que a rádio rock ficou fora do ar, a concorrente KISS FM, que estreou na frequência 102,1 MHz em julho de 2001, ganhou força e conseguiu resgatar uma parcela do público órfão da 89 FM. Com a volta da emissora, a concorrente foi posta em xeque. Hoje, a página da 89 FM no Facebook já alcança mais de 205 mil seguidores, contra 153 mil da concorrente.

As duas rádios disputam a unhas e dentes o público rock paulista. A vinheta da KISS enfatiza: “aqui você escuta o verdadeiro rock”; e a da 89, em sua música-tema, repete: “cansados da mesmice a rádio rock voltou (…) para causar e retomar o que é nosso”.

O fato da 89 ser uma rádio mais aberta as novidades bem-vindas do rock como o Muse e o The Black Keys, só citando dois exemplos, ajuda a explicar o sucesso da rádio. Ao contrário da KISS, que adotou o segmento classic rock, mas acabou escravizando-o deixando o público à deriva do que os grandes nomes do rock têm feito nos últimos dez anos para cá.

A postura da KISS remete ao filme “Meia-Noite em Paris”, do Woody Allen. Na trama, o diretor mostra como nos povos de cada período histórico há um desgosto pelo presente que os faz idealizar eras passadas. “As bandas e as músicas atuais são uma porcaria, como eu sinto falta dos anos 80” é por aí a sensação.

A molecada de agora está ouvindo rock como nunca e mostrar sua origem é imprescindível, mas não deixar que os novos e os velhos tirem suas percepções da reinvenção dele é um aprisionamento cultural em pleno século 21.

A 89 FM pode não ser a salvação, mas ainda bem que ela voltou.

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Quando o assunto é rock brasileiro a situação é ainda pior. As duas rádios rock da capital tangenciam o estilo. Enquanto a KISS FM reserva apenas 1h por semana para tocar o segmento, que não foge muito de Raul Seixas, Legião Urbana e Titãs, a 89 FM parece que só tem na programação Charlie Brown Jr., O Rappa e Raimundos, mas ainda é cedo para falar já que a emissora ainda está montando a grade de programas. Mas o que acontece? O rock brasileiro morreu ou não se consegue enxergar que ele existe? (essa é uma pauta para uma próxima discussão).

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Kiss causa histeria em shopping de SP; matéria para a Ilustrada

Abro o facebook e qual é a notícia que eu encontro? Os caras do Kiss no shopping JK fazendo compras como meros mortais, sem fantasia, sem boné, sem disfarce, sem seguranças… nada!

É claro que eu fiz matéria! Ta na Ilustrada, da Folha. Clica aqui.

Comprando briga para entrevistar ator de “Drake & Josh”

Famoso pelo seriado “Drake & Josh”, o cantor norte-americano Drake Bell veio ao Brasil em setembro de 2010 para shows em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte e na minha temporada de “repórter teen” entrevistei o moçoilo para a PlayTV, antigo canal 21. Encontrei o vídeo da matéria e compartilho com vocês no meu canal no youtube =)

Drake Bell começou cedo a carreira de ator e não demorou para que ele se tornasse sucesso entre os adolescentes e também adultos. Foi indicado e venceu inúmeros prêmios na TV, entre eles, Teen Choice Awards, Kids Choice Awards, Ascap Awards e Young Artists Awards.

Além de ter sido protagonista do seriado “Drake & Josh”, ele também fez participações em outras séries como “I-Carly”, “O Show de Amanda”, “The Nightmare Room”, “Seinfield” entre outros.

Microfone na mão

A entrevista com Drake estava marcada para uma sexta-feira, às 19h, no antigo Citibank Hall, em Moema, na zona sul de São Paulo. Eu não poderia me alongar na entrevista porque em poucas horas o músico subiria ao palco e ainda precisaria se arrumar.

De acordo com os produtores, a entrevista seria feita em um camarim da casa de show ou em um corredor com equipamentos para que desse o sentido de turnê na gravação da matéria. Achei que a ideia poderia funcionar, mas olhei o enquadramento e não gostei nem do camarim e muito menos do corredor, que era movimentado e tinha as paredes manchadas.

Dando uma de João sem braço… sugeri que a entrevista fosse feita em cima do palco (coisa que muitas bandas rejeitam por conta da movimentação dos técnicos). Ninguém tinha feito a entrevista lá e o ambiente estava lindíssimo.

A produção e os técnicos do músico rejeitaram a proposta de imediato dizendo que iria atrapalhar, que poderia atrasar o show, que o palco estava incompleto… mas não desisti fácil e comprei a “briga” usando meus argumentos de telejornalismo para convencê-los! Disse que era fundamental a entrevista ser em cima do palco até por conta da importância da imagem que o Drake Bell iria passar para o público… que a emissora prezava por sets apropriados e diferenciados da concorrência e o melhor (!) eu prometia gravar super rápido e não mexer na estrutura do palco só arrumar o enquadramento =)

Papo vem papo vai e consegui amolecer o coração da equipe antes que o Drake chegasse. Montamos o equipamento, arrumamos rapidamente o set com a ajuda dos técnicos, reli a pauta e estava pronta para entrevistá-lo.

Por um momento, comecei a estranhar uma muvuca atrás de mim… achei que eu iria fazer a entrevista com um pouco de privacidade, mas não foi o caso. Todos os técnicos brasileiros e estrangeiros do músico pararam de trabalhar para ver a entrevista, o tour manager quase grudou do meu lado e no fim tinha ao menos 30 pessoas assistindo tudo de camarote. É claro que deu aquele frio na barriga, meu inglês travou, mas nada que uma boa mimica não resolvesse.

A gentileza e o carinho do músico me deixaram mais tranquila e fiz a entrevista até a casa de show abrir as portas. Os fãs enlouquecidos correram até a grade do palco gritando o nome do músico. Mesmo com as cortinas da casa fechadas e abafando o som da nossa entrevista, alguns fãs perceberam que o cantor estava ali e enlouqueceram. Foi aí a hora de finalizar a conversa!

Ah e curiosidade… Drake acha muito mais empolgante ser músico do que ator. E aí?Preferem ele no “Drake & Josh” ou como cantor?