‘Você não tem o estilo de quem lê’, diz policial a jornalista negro

Foto: Arquivo Pessoal

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No vai e vem da agitada rua da Consolação, no centro de São Paulo, o jornalista Frederico, de 28 anos, foi parado por uma dupla de policiais militares na sexta-feira (23) por volta das 10h30. Acostumado com as revistas que sofre diariamente por ser negro, diz ele à autora deste blog, a abordagem daquele dia foi diferente.

Frederico carregava nos braços o livro “Dexter – A Mão Esquerda de Deus”, sobre um assassino em série, que havia ganhado como presente de uma brincadeira de amigo secreto. A capa traz a imagem de uma mão usando luva cirúrgica segurando um bisturi escorrendo sangue.

Foto: Divulgação

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“Num tom de ironia os policiais queriam saber por que eu estava com aquele tipo de livro, se por acaso eu já tinha feito algo de errado”, afirma. “Eu não tenho passagem pela polícia, apresentei todos os meus documentos, respondi a uma série de perguntas sobre, por exemplo, de onde eu estava saindo e para onde eu ia, qual era meu trabalho, onde morava, mas eles insistiam na questão do livro para justificar uma abordagem que durou mais de 15 minutos”.

Os livros do autor Jeff Lindsay, pseudônimo do dramaturgo norte-americano Jeffry P. Freundlich, inspiraram a aclamada série televisiva Dexter, sobre um homem que trabalha para a Divisão de Homicídios do Departamento de Polícia de Miami como analista forense de manchas de sangue. Nos períodos de folga, Dexter é um serial killer que mata assassinos, estupradores e outros que ficaram impunes.

“O policial ainda debochou de mim dizendo que eu não tinha ‘estilo’ de quem lê livros. Quer dizer que se eu sou negro e ando como qualquer outra pessoa de camisa, bermuda e tênis, não posso ter o hábito de ler?”, diz. “Não sofri nenhuma violência física, mas me chateou demais o tom de voz, o deboche, aquele preconceito nas palavras”.

Questionado sobre quantas vezes já foi revistado pela polícia, o jovem diz que “é mais fácil responder quantas vezes não foi parado”. “Moro na Vila Madalena e lá a noite eu sou abordado direto, mas nunca sofri agressão”, afirma. “Eu me sinto um alvo, se eu vejo uma viatura da polícia eu já sei que eu vou ser parado e passar novamente por todo um constrangimento, uma humilhação. Em cartazes, propagandas, o estado fala para se confiar na polícia, mas você se sente como vítima”. O jovem afirma que não deu queixa sobre o caso pelo fato de não ter havido violência física e por temer represálias de PMs, por isso o sobrenome do jornalista não foi divulgado.

A Secretaria de Segurança Pública diz que sem o registro da ocorrência, que poderia ter sido registrada como injúria, não tem como apurar o caso.

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7 respostas em “‘Você não tem o estilo de quem lê’, diz policial a jornalista negro

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  2. No Brasil para ser Jornalista tem que estudar bastante.
    Tem que ralar muito, além do Dinheiro que se gasta durante os anos todos de estudo até se formar.
    No Brasil para ser Policial precisa de pouco estudo, pouco investimento e um pouquinho de cultura, o que leva vários pms a cometer esses abusos.
    Nesse caso acho que o polícial cometeu esse crime porque sentiu Inveja do Jornalista!

    • Jonny, concordo que para se formar em qualquer curso em uma faculdade , como você disse, tem que ralar e gastar dinheiro durante 4 ou mais anos, mas onde você viu que para ser policial precisa de pouco estudo, pouco investimento e um pouco de cultura??
      Apesar de ser moreno, minha mãe é negra, eu sou formado e estudo há três anos para ser policial federal e para isso tenho que estudar matérias de direito, economia, administração pública e financeira, raciocínio lógico e matemática, português, informática e outras, além de ter que saber de sobre atualidades e disputar uma vaga com as vezes mais de 100 pessoas.Nas minhas horas vagas tenho costume de ler livros como esse que a vítima da injúria racial sofrida na reportagem estava lendo.
      Então o seu comentário está totalmente errado. Para você saber, há policiais que ganham bem melhor que um jornalista. Hoje é obrigatório ter algum tipo de graduação para ser policia nesse país, além de outros benefícios que um jornalista não tem.

      Não estou defendendo a atitude dos policiais, pelo contrário, quero ser policial exatamente para dar o exemplo e ajudar as pessoas e não fazer burrices como esses dois policiais relatados na matéria fizeram, mas o que me incomodou é quantidade de coisas erradas no seu comentário. Sou a favor que falem mal da atitude de um agente da lei quando ele faz uma coisa errada, isto porque ele é o primeiro que deve dar o exemplo, exatamente pela função que exerce, mas não posso ficar calado quando alguém faz um comentário sem o menor entendimento do assunto.

      • Pelo que entendi o Jonny estava se referindo ao policial militar, nesse caso creio que ele tenha razão.
        Você Jefferson, provavelmente está se preparando para ser policial federal que ai ja são outros quinhentos. Acredito que essa mesma preparação deveria ser feita tb para policia militar, dificultando assim o acesso de bandidos a corporação que vamos combinar, é uma vergonha.

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