Bloco de anotação: a alma do negócio para qualquer jornalista

Hoje, no meio do expediente da Folha enquanto eu almoçava em frente do computador (sic), aproveitei para dar uma bisbilhotada no blog do treinamento do jornal e me deparei com um texto muito bacana do Bruno Lee, 25, que é trainee da turma 54.

Ele falava sobre a importância do bloquinho de anotações para o jornalista. Pode passar a avalanche tecnológica que for, mas o bloquinho estará lá firme e forte nas mãos de algum repórter. Parei para pensar e realmente o Bruno tem toda a razão. Eu mesma tenho tantos blocos que chego até a me perder.

Esses dias fui assistir um filme com meu namorado e abrindo a bolsa ele me questionou querendo saber o que eu fazia no cinema com um bloco de anotações. Aí eu fiquei meio encabulada e disse que era importante… que poderia acontecer alguma coisa e eu deveria estar preparada para anotar tudo. Claro que o meu namorado me chamou de paranoica e pediu para que eu deixasse o bloco no carro assim minha bolsa ficaria mais leve.

Discussões à parte… no fim das contas eu levei meu bloquinho, mas nada aconteceu e não precisei usá-lo. Na semana seguinte, demos a notícia na Folha “Curto-circuito em máquina de pipoca causa incêndio em sala de cinema“. Imagina se eu estivesse lá com meu bloquinho? =)

Para quem ficou curioso e quer entender mais sobre o poder viciante dos bloquinhos aí vai o texto do Bruno Lee no blog da Folha:

Quando criança, gostava muito de ouvir “O caderno”, do Toquinho. Um dia desses, após muito tempo, escutei a música no rádio.

Então, me dei conta. Se limparmos um pouco a pieguice da letra, a canção descreve de maneira muito precisa a relação do jornalista com o seu bloquinho, que é baseada em cumplicidade.

Imagino que uma boa maneira de entender como um jornalista pensa e organiza o raciocínio seja dar um olhada no seu bloquinho. Ele é a cara do dono.

Além disso, quanto da história recente da humanidade não deve estar escrita nos bloquinhos esquecidos em fundos de gaveta? Ou quantos furos de reportagem não foram perdidos em bancos de metrô, balcões de padaria ou mesas de bar?

O mundo evolui, surgem novas tecnologias e novas formas de armazenar informação, mas o bloquinho é imune a tudo isso. É prático, fácil de carregar e não está sujeito a panes.

Além disso, relação entre jornalista e bloquinho já está gravada no imaginário coletivo. Pense em um jornalista e pronto: lá está o singelo montinho de papel preso por uma espiral.

Eu, que sou novato na área, não saio mais sem o meu.

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